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'Boas cidades e felizes populações'

No final do ano só sobrou um sinal de putrefação

Por Vitor Fernandes

Aqui na Terra o tempo é uma incógnita, mas quem nunca quis pará-lo? Pensar nisso é entrar em transe e orquestrar devaneios mundanos que só ficam no imaginário. Parar o tempo, ser um ator ou cantor famoso, um astro do rock, um palhaço do circo da cidade, um juiz de direita ou de esquerda, jogador de futebol (esse sonho tá na moda), político corrupto (tá também), são algumas dessas abstrações que remetem a uma “terapia” que acaba revelando seu lado positivo. Ao imaginar você acaba vivendo de uma forma lúdica momentos de como seria caso fossem verdade seus pensamentos. Não sei se é o certo, mas chegaria a dizer que isso é que é ir longe.

Muito distante está também o nosso futebol brasileiro. Quem assistiu o Santos enfrentar os galácticos do Barcelona viu e nem precisa dizer muito para explicar o que aconteceu. Alguém imaginou errado e deu tudo errado! Pronto, resumido! E teve uma torcedora que ficou sozinha na Vila Belmiro, no dia seguinte, criticando a torcida que sumiu. Tinha piada pra todos os gostos. Uma bem criativa dava conta das letras que a camisa do time brasileiro leva na parte frontal do uniforme, BMG, que para muitos era: Barcelona Me Goleou. Nem ria que isso não é brincadeira, disse um torcedor santista que preferiu se manter no anonimato e não pensar em 2014. 

Neste final de ano, ou início (como quiser), penso que alguns pontos na sociedade deveriam ser repensados. Tudo bem, boas festas e feliz ano novo para todos, mas não acha que deveríamos rever esse método de governabilidade que está em vigor? Bom, fica a dica aí por que também não quero confusão no fim de ano com ninguém. Mas que as cidades e as populações deveriam ser mais organizadas e felizes, isso sem sombra de dúvidas. 

Talvez eu não consiga ligar o parágrafo de cima com este que inicio, mas tenho a impressão que o problema é que os seres humanos estão em estado de putrefação social por causa de uma sociedade que já morreu faz tempo. Um exemplo gritante são as pessoas que vivem nas ruas por opção. Algumas reportagens que podem ser assistidas ou lidas na internet mostram muitas pessoas que estudaram e não se encaixaram no “sistema” e preferiram ir para a rua, sobreviver do que buscam ganhar a cada dia. Cada dia é uma nova vida, um conceito um tanto “concepcionista” (não tem nada com jurídico). Cada dia um luta para vencer e uma sentença para acompanhar...    

Para sintonizar e continuar a falar dos fatos que fizeram sucesso na mídia neste final de ano, destacaria os quase que comuns atos de violência contra animais. Vamos lá em coro: animais são bichos dóceis, basta criar com carinho que eles retribuirão. Agora, quem não sabe nem administrar a própria vida não tem como ter filhos, tampouco animais de estimação. Aliás, o animal de estimação, muitas vezes, é tido como um objeto para suprir a carência de uma criança, ou vai dizer que não? Então, tem relação também com gente. Se estamos nos afastando da natureza dizendo que não mais somos parte dela, e sim que queremos dominá-la, vai ficar difícil continuar vivendo em sociedade... mas aí é história para outro artigo. 

Fato é que, se não pode cuidar de animais, também não os maltrate, eles já foram maltratados demais. Veja, o nosso caminho para a evolução foi sempre passando por cima da natureza, utilizando-a para tudo - comer, beber, produzir, ter energia - tudo tem uma matéria prima que está no meio natural. E esse negócio de ecologia e autossustentabilidade defendido hoje é também um meio do ser humano apontar seu remorso. Ou você pensa que o crime também não é vivenciado naquela conjuntura imaginária proposta no início do texto? É, com ou sem violência estamos sendo regidos por valores transgênicos que nos obrigam e obrigam, cada dia mais, a canalizar nossos sentimentos e investimentos em um animal de estimação. Pode ser o limite daquela outra frase: “quanto mais conheço o ser humano, mas eu gosto do meu animal”. 

Quero abrir aspas para comentar um assunto importantíssimo, a mudança da apresentadora do Jornal Nacional (JN). Que diacho foi que mudou na vida ou no convívio social a substituição de Fátima Bernardes por Patrícia Poeta? Sinceramente. Passou, Fátima, a fila andou e agora você terá um programa só seu! Foi uma vitória, se livrar do JN deve ser bom demais... 

Outro destaque foi a decisão individual do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), que limitou a atuação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) nos processos administrativos contra magistrados. Agora ficou por conta dos jornalistas controlarem os magistrados também? Foi isso que eu entendi na análise detalhada da notícia. Essa ação é de autoria da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que acionou o STF contra uma resolução editada em julho pelo CNJ. Então deve ter contra ataque? Duvido, a decisão beneficia muita “pessoa grande” e que mantém as costas aquecidas! 

Segundo informações difundidas pela mídia nacional, o ministro Marco Aurélio considera que o conselho só deve atuar para punir magistrados quando o caso já tiver sido encerrado na corregedoria local. Também na imprensa, dados apontam que uma varredura em 2010 pelo CNJ atingiu 216.800 pessoas e apontou que 3.438 delas realizaram movimentações suspeitas. O levantamento foi usado para a corregedoria do CNJ determinar, em 22 tribunais, a apuração de eventual enriquecimento ilícito. 

Esse assunto, envolvendo o poder de atuação do conselho, foi motivo de polêmica depois que a corregedora-nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, disse que o julgamento favorável da ação da AMB abriria brechas para “bandidos escondidos atrás da toga”. Engraçado que a declaração foi divulgada na véspera do julgamento do caso pelo STF, e, claro, gerou repercussão na cúpula do Judiciário, que passou a acusar a ministra de fazer declarações “levianas”. Para a surpresa de muitos, que davam a causa como certa, viu-se, desde então, o julgamento ser sucessivamente adiado. E eu pergunto, por que será? Talvez possamos descobrir em 2012. Felicidades para você!

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