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por Maria Prado de Oliveira*
Já garanti a minha inscrição no evento da Rádio Metrópole, onde Mário Kertész vai entrevistar Fernando Morais, com a participação de Bob Fernandes e Afonso Romano de Sant'Anna (27 de setembro, 18 h, Hotel Fiesta). Vendo esse evento, que começou com Sebastião Nery, lembrei de uma série de palestras chamadas "O Olhar" (depois houve outras com outros nomes - não lembro... ) que aconteceram Brasil afora, inclusive na nossa city - artes plásticas, literatura, cinema, filosofia... Lá pela década de 90 do século XX. Não lembro quem era o prefeito nem se havia apoio institucional do município naquela época. Se não estou enganada (a memória no 5 ponto 1 é uma loucura), o ciclo de palestras (e curso) "O Olhar" era uma iniciativa apoiada pela Funarte.
A propósito, Mário, quando foi prefeito, cercava-se de gente como Gilberto Gil, Lina Bo Bardi, Pierre Verger, Lelé Filgueiras...Todos esses trabalhando pela primeira capital do Brasil... Ah, e contratava artistas baianos, residentes em Salvador, para a Fundação Gregório de Matos (Projeto Boca de Brasa, Projeto Teatro...). Que luxo, hein? Isso no final da década de 80 do século XX (ontem para uns).
Vejo no Face, nas agendas culturais, ouço no boca a boca alguns eventos de pensamento por aí. Alguns me atraem - como a fala de Mino Carta, trazido pelo escritor e jornalista Emiliano José no ano passado -, outros soam como lamúrias e há os que não vou por falta de afinidade (acontece)... Adoro eventos de pensamento, mas também estou à cata de gente que bota a mão na massa no meio das adversidades. Encontro (viva o Face!!!) uma galera, graças a Deus! Os notórios e anônimos da minha geração e gente nova (novíssima) produzindo, atuando, cantando, fotografando, dirigindo, dançando, filmando, escrevendo, esculpindo, "pintando o sete", ralando... Gente que mora em Salvador e baianos que voaram além mares da Bahia e do Brasil...
Morei no Rio, morei em Sampa, não morei em Paris, nem em Nova York. Adoro o Rio. São Paulo? Gosto para prazeres gastronômicos e para degustar cenas artísticas (música, teatro, performances...). Em Paris, queria estar agora, nesta semana, na Lavagem de Sainte Madeleine (tomara que eu consiga ir na próxima). Em New York City, tô marcando uma ida ano que vem com o meu amor - tudo depende de grana. Mas o que quero mesmo é continuar morando em Salvador. E ter prazer em estar aqui nos dias e nas noites do ano... Como faço? A mim, não basta somente meditar e transcender, porque a rotina me coloca de cara com a miséria e a violência das ruas, não basta ouvir música, ler e ver filmes, ou jantar com amigos, nem ser alegre de espírito, nem gostar de dançar e de viajar e de escrever... Não basta a minha felicidade pessoal com o meu amor, meu trabalho, minha família e meus amigos...Quero mais! Quero Salvador honrando o nome que carrega:
S A L V A D O R!
Pensar é fundamental, ilumina raciocínios. Aliar pensamento à ação fertiliza os espaços áridos. E boa vontade recíproca alivia as tensões e separatismos egóicos... Como é que a gente (re)constrói uma cidade?
*Maria Prado de Oliveira é artista (atriz), produtora cultural, escritora, com formação em Filosofia






