Teia de notícias

“O discreto charme da burguesia”

O prazer querendo ser eterno e os dedos tremendo


Por Vitor Fernandes


Queria poder juntar Nietzsche, Rimbaud, Basquiat, e Luis Buñuel em um único texto, mas como ainda não cheguei nesse nível, vou tentar utilizar o que ficou claro para mim quando os li ou quando vi suas artes, pensamentos e conceitos...talvez até alguns valores, que acabamos absorvendo. Mesmo parecendo outra maluquice, dessa vez tem como eu explicar, esses quatro “artistas” possuem algo em comum, eles ridicularizam a burguesia e todo o seus discretos charmes. E toda vez que falo de burguês sinto uma torpe sensação de repúdio. Comecei a sentir isso quando um intelectual me chamou para um almoço. Quando cheguei lá notei que ao invés de cadeiras na mesa havia privadas.

Brincadeira. Não preciso de um motivo inicial para sentir isso, mas acredito que se me disserem que vivi na época medieval eu vou acreditar. 
Algumas coisas estranhas da vida moderna fazem a gente pensar no que chamaram de transvalor. Entende-se a “transvaloração dos valores, como o ensaio empreendido com todos os meios, com todos os instintos, com todo o gênio, de levar os valores opostos, os valores nobres, à vitória”... Isso considerando uma guerra ou uma luta de classe, ou qualquer outra disputa, mesmo que seja em um singelo debate entre duas pessoas a respeito de temas polêmicos como o aborto, drogas, ou até mesmo sobre música, futebol. A ideia é mais de reflexão, queria provocar para tentar rever alguns valores que temos e que acreditamos que é o correto e tal, mas que na verdade não passa de mais um transvalor, ou (pré) conceitos que mantemos discretamente.

Fazendo pesquisa no oráculo, registrei que a história mostra que os burgueses eram pessoas que trabalhavam com dinheiro, não eram bem vistas pelos integrantes da nobreza, que era até então, o principal detentor do poder. No entanto, os burgueses sonhavam em enriquecer e tomar o poder. Desprezados pelos nobres, os burgueses eram herdeiros da classe medieval dos vilões e, por falta de alternativas, dedicaram-se ao comércio que, alguns séculos mais tarde, serviria de base para o surgimento do capitalismo. 

Até aí tudo bem? Tudo bem nada, a história mostra também que com a aparição da doutrina marxista, a partir do século 19, a burguesia passou a ser identificada como a classe dominante do modo de produção capitalista e, como tal, lhe foram atribuídos os méritos do progresso tecnológico, mas foi também responsabilizada pelos males da sociedade contemporânea. Os marxistas cunharam também o conceito de “pequena burguesia”, que foi como chamaram o setor das camadas médias da sociedade atual, regido por valores e aspirações da burguesia. Nem sei porquê escrevi isso mesmo! Mas já serve até de informação e mais reflexão. Esse texto vai virar um livro daqueles de auto-ajuda...
Mudando de assunto, lembro que faz uns seis anos que meu primo e eu fazíamos cópias de filmes em VHS para assistir a hora que quisermos. Isso até os videocassetes quebrarem! Dos vídeos, assistidos mais de 10 vezes, tinha esse em especial! “O Fantasma da Liberdade”, do diretor espanhol Luis Buñuel. Nesta época a gente só queria saber de clássicos, e era um mais esdrúxulo que o outro. Tinha o “Fellini Oito e Meio”, do italiano Federico Fellini, que não teve jeito, de tanto rodar a fita quebrou – todos queriam assistir. Outro que marcou muito foi “Esse Obscuro Objeto de Desejo”, que nem vou comentar para não gerar crise no movimento feminista, e “O Discreto Charme da Burguesia”, o qual eu peço emprestado para utilizar como título deste artigo. 

Mas não foi de filme que eu propus escrever. Queria voltar a sintonizar falando que perto da gente tem de tudo, na Chapada ou na capital, tem prefeito tirado a Tom Cruise e vereadores Bolseiros e ainda temos de observar a mídia nacional mostrar o lutador Anderson Silva falando com voz fina e dando soco na cara de gringo parecendo um rinoceronte, é muito estranho mesmo, transvalor é pouco. Daqui a pouco esquecemos do 11 de setembro e aprovamos a rejeição de Obama. Fato é que ainda não se sabe o que foi que aconteceu direito, existem inúmeras versões dos “atentados às Torres Gêmeas”. Fica registrado, não sou terrorista mas lembrei!

Assuntos de destaque é que não faltam, fora o pessoal ter aceitado as denúncias contra o prefeito de Itacity teve também uma zoada retada por causa da aprovação do projeto que limita o Planserv, isso na Assembleia Legislativa do Estado. Foram 39 votos contra 20 da oposição. Um jogo horrível, parecia mais uma pelada, um baba, pior que os jogos da seleção do Mano. E teve um deputado que ainda ganhou um processo e uma representação. 

Na Assembleia é bom prestar atenção que tem vários projetos importantes para a população e se deixar pra se mobilizar em cima da hora vai se estrepar. Agora é a vez dos Cartórios, juízo de opinião é complicado, mas só sei que se for facilitar os serviços vai ser bem vindo. Sinceramente, eu falo por mim, tenho dois anos tentando fazer uma correção na Certidão de Nascimento, um erro do Cartório, e nunca consegui. Também nem sei a que pé anda, é mais fácil “contornar” do que resolver o problema. É o que dá, todo mundo vai trabalhar de paletó e gravata, terninho, com carro de luxo. Transvaloriza a burguesia também. 

Leis e não títulos de cidadania. Deveria ter um deputado que levantasse essa bandeira. Haja título de cidadania. Em afro, você é Bahia ou Vitória? Esquecem até do Ypiranga, que na verdade é o mais querido da Bahia, 105 anos no dia 7 de setembro. Não tem título para o Ypiranga? É, mas tem time também que nada e nada, e nadando morre na praia. Melhor ficar quieto e escrever outro texto, esse foi muito leve. Mas como os tapas só podem ser dados de luva e com os dedos tremendo, com vontade de não parar, querendo ser para sempre, então toma!

 

*Vitor Fernandes é jornalista, editor do Jornal da Chapada, assessor político e colunista do Teia de Notícias

Voltar ao topo