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Psicopata: a constituição de uma pessoa com essa característica

Por: Elídio Almeida

Vivemos numa sociedade que a cada dia temos menos pessoas com tolerância às diferenças e aos comportamentos alheios. Dessa forma, é cada vez maior o número de pessoas individualistas, que pensam somente em si e suporta cada vez menos o convívio social. Essa situação torna-se ainda mais grave nos casos das pessoas que têm um padrão de comportamento em sua personalidade que envolve, fundamentalmente, a insensibilidade às emoções alheias, em especial ao sofrimento. Uma característica fortemente marcante nessas pessoas é a indiferença à ética, à empatia, a normas sociais sobre convívio.
No último dia 30, o psicólogo Elídio Almeida esteve nos estúdios da Tv Itapoan, afiliada da Record na Bahia, para falar no programa Bahia no Ar sobre mais um caso que chocou a população, dada a crueldade do ato e a frieza do acusado.

 

Nesses casos não há um fator exclusivo para a constituição de uma pessoa com essas características, pois os fatores são multideterminados. Alguns estudos apontam que, do ponto de vista filogenético, as pessoas com esse padrão comportamental, amplamente conhecidas como psicopatas, tem um organismo diferente e reagem à dopamina (neurotransmissor precursor da adrenalina) de forma distinta. Ou seja, são biologicamente incapacitados de ter empatia e sentir emoções como piedade, compaixão, pena ou remorso. Portanto elas têm uma síndrome orgânica que as tornam insensíveis às situações que envolvam outras pessoas, pois um psicopata só consegue pensar em si mesmo e, em alguns contextos e durante algum tempo, pode até fingir emoções se isso for útil e trouxer benefícios para si.
Para nós psicólogos, analistas do comportamento, há 03 níveis básicos de determinação para este tipo de comportamento; e vamos encontrar dados na história evolutiva da Humanidade (que comportamentos foram selecionados desde o homo sapiens até os dias atuais), na Sociedade (quais são os hábitos, a cultura, os valores, as crenças que são compartilhadas pelas pessoas ou pelos grupos presentes nesta sociedade) e por fim, na história de vida da pessoa (como ela percebe e valoriza todos os aspectos desse contexto, ruas relações sociais, afetivas, traumas, angustias inclusive sua formação religiosa e constituição moral e ética).
Algo que assusta ainda mais a população, é a grande frequência destes casos e como a maioria deles mostram pessoas que se sentem autorizadas em nome de determinados grupos, causas e propósitos; a por em prática o que eles consideram como justiça a partir da sua própria ética, sem levar em consideração as demais pessoas envolvidas e às consequências destes atos. E comportamentos desta ordem podem encobrir transtornos mentais graves, a exemplo das psicopatias. Outro fator bastante comum deste aspecto é a utilização das siglas religiosas ou entidades dividas para justificar esse tipo de comportamento, por quem os pratica.
Mesmo em casos crônicos, através de psicoterapia a pessoa é levada a identificar as consequências de seu comportamento e com isso desconstruir crenças e regras que controlam o comportamento inadequado e posteriormente ela pode passar a desenvolver novas estratégias comportamentais para conviver e relacionar-se de forma mais adequada ao contexto sem oferecer riscos a si e às demais pessoas. Quando comportamentos inadequados já ocorreram a psicoterapia pode ajudar esta pessoa a enfrentar as consequências de seus atos, além de trabalhar para que não voltem a se repetir.
É importante destacar que em todo o mundo há cada vez mais o crescimento da intolerância, da individualização e da constituição de grupos que procuram se diferenciar, onde cada um cria seu universo particular e procura viver suas próprias regras em detrimento dos outros. Em todos esses contextos vamos encontrar pessoas que têm passaporte, nível superior, CHN… todas elas estão inseridas nesse contexto e sujeitas aos mesmos efeitos dessa individualização tão valorizada nos dias de hoje. Somado se a esta questão, consideraremos que cada pessoa tem uma percepção, uma interpretação para os comportamentos e a partir daí pode se tornar ator de qualquer ação, baseada em suas próprias regras. Em todos os casos, o ideal é que as pessoas busquem ajuda para si ou para pessoas de seu convívio nos casos em que questões dessa ordem estejam presentes.

Elídio Almeida é psicólogo (CRP 03/6773)  formado pela Universidade Federal da Bahia – Ufba, aluno do programa de mestrado da Ufba, membro da ABA (Association for Behavior Analysis International), membro da ABRAPIA (Associação Brasileira multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência), atua como psicoterapeuta clínico na perspectiva da análise funcional do comportamento, atendendo adolescentes e adultos
elidioalmeida.wordpress.com

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