
Por Gusmão Neto
Durante o Carnaval, muita gente quer aproveitar ao máximo todos os dias de folia, e uma alimentação saudável é fundamental para aguentar o tranco. Não só aguentar o “porradão”, como também evitar aquela velha ressaca no dia seguinte. E para deixar seus leitores bem informados sobre como aproveitar a folia e permancer com a saúde alimentar em dia, o Teia de Notícias entrevistou o conceituado nutricionista Rafael Vilela.
Nesse bate-bapo, o profissinal faz algumas recomenações sobre o tema e chama a atenção para alguns vícios. Mas ele também não é daqueles nutricionistas “xiitas”, que proíbe tudo. Longe disso. Como legítimo baiano e categórico folião das horas vagas, Vilela explica que nenhuma comida é proibida durante a festa, desde que haja cuidados e limites. Confira a entrevista na íntegra e boa folia.
Teia de Notícias: Existe alguma coisa que não pode comer, de jeito nenhum, durante uma festa como o Carnaval?
Rafael Vilela: Na verdade não há proibições alimentares durante a festa de carnaval. O cuidado que deve ser tomado é justamente com os excessos. Claro que, para aqueles que têm restrições por problemas de saúde, devem continuar seguindo à risca durante o carnaval. Moderação é a palavra chave para um carnaval tranquilo e sem reações alimentares adversas. Dê preferência a alimentos saudáveis.
Teia: O povo aqui tem mania de acordar de ressaca e comer aquele pratão de feijoada antes de cair na folia de novo, com a ideia de que precisa se preparar pra aguentar o tranco. Isso faz mal? Por quê?
Rafael: Durante o carnaval, o ideal é evitar ingerir alimentos pesados como feijoada, buchada, fatada, dobradinha, moquecas, churrascos, entre outros, pois são de difícil digestão e podem atrapalhar a disposição do folião no circuito carnavalesco. Quando comemos alimentos deste tipo, boa parte da energia do organismo é direcionada para os processos da digestão, o que acaba nos deixando mais sonolentos e indispostos, além de alterar os reflexos.
O melhor é alimentar-se de refeições leves e nutritivas, ricas em vitaminas e minerais para repôr as perdas da noitada. Ex: Arroz, Feijão comum, carne, frango ou peixe grelhado e muita salada (alface, tomate, rabanete, pepino, etc). Frutas ou suco de frutas e sanduíches naturais são super bem-vindos nos lanches.
Outro fator importante é beber bastante água e bebidas hidroeletrolíticas (Gatorade) durante o dia, pois à noite perdemos muitos minerais no suor, sendo necessário, portanto, a sua reposição, principalmente para quem está de ressaca.
Teia: Como o pessoal consegue identificar, logo de cara, se as comidas de rua (acarajé, espetinho, etc) estão apropriadas para o consumo?
Rafael: O consumo de alimentos vendidos nas ruas como acarajé, espetinho de carne, cachorro-quente, pizza fatiada, hamburguer e outros é muito comum em épocas de festas, especialmente no carnaval. Para não pagar mico e ficar em casa de “piriri” por causa de um alimento contaminado, as principais dicas são:
1-Escolha local com estabelecimento fixo. Barraquinhas e carrinhos não são confiáveis, pois não costumam ter locais apropriados para armazenar os alimentos a serem vendidos, ficando assim expostos ao tempo, poeira, chuva etc.
2-Fique atento ao vendedor. Observe se há higiene pessoal, roupas limpas, boa aparência, utilização de toucas e luvas. A pessoa quem recebe o dinheiro da venda do produto não pode ser a mesma quem serve o alimento ao cliente, pois há muitas bactérias nas cédulas do nosso Real e podem contaminar o alimento e consequentemente quem o consumir.
3-A aparência e o odor do alimento são pontos crucias para identificar se está bom ou não para consumo. Se o folião perceber que o alimento está com aparência feia, velha e com odor levemente desagradável, jamais consuma. Alerte aos amigos e procure outro local para lanchar. Alimento contaminado pode causar sérios problemas à saúde.
Teia: Se comer acarajé durante a folia não é tão recomendado, então o que recomendar àqueles que não resistem em comer o bolinho?
Rafael: O acarajé, por ser um alimento típico da Bahia, contém muito dendê e, para quem não está acostumado, pode sofrer reações desconfortáveis consequentes da sua ingestão. Modere o consumo desta iguaria baiana durante o carnaval. Observe as condições de higiene do local e da baiana que está servindo o bolinho.
Para quem está acostumado e para aqueles que não resistem ao sabor inigualável do nosso acarajé, exija que ele seja frito na hora em que for consumir. Evite comer aqueles que estão ali na mesa há horas, sofrendo todo tipo de contaminação (poeira, chuva, gotas de saliva e de suor etc).
Teia: Dizem que o ideal é se alimentar de 3 em 3 horas. Na prática sabe-se que isso é quase impossível em um carnaval. Como reaver essa perda?
Rafael: Em épocas de festas realmente é difícil manter intervalos de 3 horas entre as refeições. A melhor maneira de manter uma dieta saudável é escolhendo os alimentos corretos, de acordo aos horários. Se você chegou do circuito de carnaval tarde e no outro dia acordou depois das 11:00hs, nem pense em tomar café, comer pão etc. Aguarde mais um pouco, se for o caso, e vá direto para o almoço, mas evite os exageros e as preparações “pesadas” para não causar indigestão. Abuse das saladas cruas. Essa mesma recomendação serve para aqueles que dormem até momentos antes de sair novamente para a folia.
Ao longo do dia, nas ruas, no meio da festa, é muito importante que sempre seja feita reposição de nutrientes e minerais, ingerindo água, sucos de frutas e dando preferência aos lanches saudáveis. Isso não quer dizer que não possa comer um acarajé, um espetinho de churrasco ou um cachorro-quente, desde que não haja exageros e ingestão exclusiva destes tipos de alimentos.Neste carnaval, não dê férias à sua saúde e desfrute de uma boa nutrição o ano inteiro.
*Rafael Vilela é nutricionista da rede Hoteis Transamérica, de hospital público, articulador de ensino universitário e colunista do Teia de Notícias






