Teia de notícias

Para Andréa Mendonça, aprovação da LOUS foi uma violação

Ainda no primeiro mandato, a vereadora Andréa Almeida Mendonça (PV) já se decepcionou com a Câmara Municpal de Salvador e até mesmo com a política partidária. Ela adiantou que vai dar um tempo e não pretende disputar a reeleição. Mas promete não ficar muito londe da vida política. Seus planos são comandar um programa de rádio e se preparar para concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa, em 2014. Mas, se seus planos são de eleger-se deputada, é bom que esteja bem "preparada", pois se em tão pouco tempo a Câmara de Vereadores a decepcionou, imagina o que vai acontecer na Assembleia, caso seja eleita. Lá, o jogo é bem mais pesado.


O que a fez desistir de correr atrás da reeleição para a Câmara de Vereadores de Salvador?

A ditadura da política partidária. Os partidos estão amarrados e nós integrantes ficamos sem mobilidade para conduzir as questões que interessam à cidade. Confesso que estou decepcionada com essa forma de fazer política. Acho que, ou se faz a reforma política, ou fica difícil para nós que nos elegemos com o voto popular para defender os interesses da população, interesses da cidade, cumprir o nosso papel.

Quais as mudanças que a senhora acha que dev e ser introduzida na política pela reforma defendida?

Maior liberdade, fim das coligações, a fidelidade partidária e a programática dos partidos. O político às vezes muda de legenda porque seu partido muda sua ideologia, passa a ser infiel aos seus princípios. Esses são alguns dos aspectos que precisam mudar urgentemente. Da forma que está, ninguém sabe quem é governo ou quem é oposição neste país, é preciso que isso fique definido claramente. O país deveria optar por um modelo tipo o americano, em que o político ou é governo ou oposição. Aqui, ele se elege por uma legenda de oposição e logo vira governo. Os eleitores ficam confusos e acham que nós traímos sua confiança. Os interesses da população e da cidade devem estar acima dos interesses pessoais, empresariais ou comerciais. Isso vale para o gestor também.

Então a senhora defende que só existam dois partidos, um de esquerda e outro de direita, como nos Estados Unidos?

Acho que no Brasil tem partidos demais. Toda hora se cria uma legenda nova, com o discurso de ser opção, mas logo se alia a um outro partido. Veja o caso do prefeito Gilbertto Kassab, de São Paulo, que criou o PSD e agora está querendo se aliar ao PT na disputa pela capital paulista. Isso tem que ficar definido também. Às vezes, essas legendas nem se sustentam.

Mesmo defendendo a fidelidade partidária, a senhora mudou de partido, saiu do DEM e filiou-se ao PV. Como a senhora explica essa mudança?

Na verdade, a decisão de sair do DEM não foi minha. Durante a convenção, o partido convidou a mim e a Tia Eron, a sair quando definiu que políticos com mandato não teriam a legenda nas eleições municipais de 2012 para disputar a reeleição. Na oportunidade eu ainda não havia decidido a não concorrer à reeleição, então tinha que garantir minha sobrevivência política. Fui para o PV porque tem uma proposta que me agrada. A proteção ambiental, a sustentabilidade, são a bandeira do novo mundo e me identifico com isso.

A Câmara Municipal de Salvador criou muita confusão e polêmica com a aprovação da nova Lei de Ordenamanto do Uso do Solo (Lous) que está dando muito o que falar. Qual a posição da senhora e do PV com relação a esta lei?

A lei é completamente ilegal pois a LOUS não tem competência para tratar de zoneamento e gabarito da cidade. Tenho certeza que a Justiça vai derrubá-la. Além de inconstitucional, essa lei vai desconfigurar a cidade, causar sombreamento na orla, perda de áreas, danos ambientais. Também permite a renúncia fiscal e fortalece as Transferência do Direito de Construir (Transcons) que já causaram tantos problemas à cidade. E tudo sem que a população ganhe ou a cidade tenha qualquer ganho.

Apesar de tudo isso, os vereadores mostraram-se favoráveis e a lei foi aprovada. A que a senhora credita essa posição da maioria dos vereadores?

Considero a atitude dos  vereadores uma violação, uma coisa completamente equivocada, sem cabimento. Realmente não sei o que os levou a aprovarem uma lei que fere todos os princípios básicos. Acho que eles apostaram na morosidade da Justiça, pois todos sabiam que o resultado seria este. Confio que a Justiça vai suspender esta lei. A gente nem conhece ainda o seu texto final. Foi um desrespeito patrocinado pelo Legislativo e o Executivo. 

Mas a senhora não estava presente na votação...

Não participei da votação porque estava licenciada por questões médicas na família, mas já havia manifestado minha posição contrária.

Voltar ao topo