
ATÉ QUANDO?
Por Alexandre Levi*
Agora virou moda agredir fisicamente repórteres, cinegrafistas, fotógrafos e demais profissionais de imprensa. Cenas de extremo descontrole dos entrevistados que desferem tapas, socos e chutes estão cada vez mais rotineiros nos noticiários nacionais e, por que não dizer, locais. Na noite da última quarta-feira, 21, no Estádio Barradão, na capital baiana, o fim do jogo entre o Goiás e o Vitória – time da casa – foi marcado por mais uma pancadaria.
Inconformado com a reação do time adversário, que empatou a partida em 2 a 2 aos 45 minutos do segundo tempo, o treinador do Goiás, Emérson Leão, resolveu urrar e bradar com os radialistas, que apenas estavam cumprindo com o seu trabalho, levando a informação e o calor dos fatos em primeira mão aos torcedores.
Caso de polícia
Diante do bravo exemplo do treinador, os jogadores Rafael Moura, Marcão e Romerito se juntaram à pancadaria e foram parar, todos, na 10ª Delegacia, no bairro de Pau da Lima. O treinador e seus discípulos foram indiciados por lesão corporal, crime previsto no Código Penal Brasileiro, podendo ser condenados a detenção de três meses a um ano ou multa.
CQC
Recentemente, a candidata à Presidência da República pelo PT, Dilma Rousseff, teve de intervir em defesa do jornalista Danilo Gentilli, repórter do Programa Custe o que Custar (CQC) da Rede Bandeirantes de Televisão. Durante um comício na cidade de Santo André (SP), o repórter e a sua equipe foram impedidos de fazer a cobertura jornalística do evento e sofreu socos e chutes numa tentativa de boicote. O empurra-empurra foi tamanho que a candidata se manifestou em pleno palanque: “Por favor, deixem o pessoal do CQC trabalhar em paz!”
È preciso lembrar a todos que, embora não pareça, vivemos em uma democracia e temos a liberdade de expressão garantida na Constituição, pela Lei 5.250, de 9 de fevereiro de 1967. O jornalismo tem por função justamente garantir um direito constitucional de todo cidadão: o direito de informar e ser informado.
Diploma
Contudo, não me espanta que episódios como esses venham se repedindo diversas vezes, em diferentes contextos e graus de violência. No dia 17 de junho deste ano, a categoria dos jornalistas completou um ano da perda da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão. Um país que não respeita a imprensa, não respeita o seu próprio povo e com isso, vai ganhando espaço para armar as mais criativas tramoias, não apenas na política, mas em cada jeitinho brasileiro de ser.
É preciso acordar para o que está acontecendo no Brasil. Cutucar o colega do lado, gerar discussões sobre o futuro do nosso país, nossos representantes políticos, nossos direitos. Até quando jornalistas terão de apanhar por serem impedidos de realizarem o seu trabalho? Até quando cada um de nós vamos nos conformar com a notícia que nos foi permitida assistir?
É preciso punir aqueles que não respeitam a imprensa e os seus profissionais. O direito à informação é nosso, previsto por lei e, até que soframos um golpe de Estado, a democracia é quem fala mais alto!
* Alexandre Levi é estudante de jornalismo pela Faculdade Social e repórter do NUJOR (Núcleo de Jornalismo) da ascom da Universidade Estadual da Bahia – UNEB.
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Comentários
A imprensa possui um papel fundamental na vida de toda e qualquer pessoa e esse "papel" jamais deve ser negado a ninguém.
Parabéns, excelente matéria.
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